Arquivo para categoria Poesia

Reencontro

Boris Prokazov7

de Myrtes Mathias

Quando o conheci, “era jovem demais para saber amar” e seu amor me pareceu uma forma de escravidão. Não entendi que tudo exigia, porque tudo entregara, tudo queria, porque tudo me dera. E eu o traí. Menos por maldade que por falta de compreensão. Esbanjei a liberdade que me deu, num deturpado senso de valor. Troquei-o. Troquei-me por prazeres efêmeros, instantes de loucura que chamei de amor. Levou muito tempo para que eu descobrisse o preço enorme que eu lhe havia custado:

Esvaziando-se de si mesmo, ele havia deixado um trono, uma coroa, a glória. Um reino ilimitado de poder, para descer até onde eu me encontrava. E, já que não pude tornar-me rei, ele despiu seu manto de púrpura e eternidade, e se cobriu com as roupas de um plebeu. Calçou sandálias, e deixou que seus pés se cobrissem de pó.

Sua cabeça pendeu sob um sol que abrasava, sem o conforto de uma pedra para repousar. E, como se tudo isso não bastasse, propôs ao Pai, que uma atitude exigia, Trocar sua vida pela minha. E assim eu o encontrei, só e humilhado, um simples Homem chamado Jesus, levando nos ombros uma enorme cruz. E, vendo-o receber os açoites que eu merecia, beber o cálice que eu beber devia, senti toda a vergonha de minha traição, a perversidade de cada ato meu.

Em desalinho, coração em pedaços, (que foi tudo quanto recebi daqueles pelos quais eu havia trocado) caí aos pés da cruz, onde ele agonizava em nome de seu amor por mim. E nem ousei perguntar que marcas eram aquelas, eu bem sabia a origem delas: Se não me tivesse amado, se por mim não se houvesse trocado, nada daquilo lhe teria acontecido.

E eu, que julgara seu amor uma forma de escravidão, beijando o chão que seu sangue molhava, solucei:

– Perdão! Bem sei que não podes esquecer todo o mal que, leviano, te causei, as lágrimas que te fiz chorar, esta cruz horrível em que te preguei.

Mas até o fundo abismo da minha miséria, até a lama em que eu me debatia, esquecendo a própria agonia, ele enviou um piedoso fim para uma triste história:

– Eu já me esqueci dos teus pecados. Para os erros que são confessados, Deus não tem memória.

Ainda de joelhos, ousei abrir os olhos, para contemplar Aqueles que fitavam os meus. E descobri que: Não era um Rei que me absolvia; não era um homem que os braços me estendia. Naquele instante para todo o sempre, eu me unia a Deus!

*Legenda da figura: Artista Boris Prokazov, Rússia,  2 de Novembro de 1948.
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Dia das Mães

dia das maes

de Flavianne Rodrigues de Oliveira

Neste dia, o amor, a alegria e a gratidão enchem nossos corações por termos vocês em nossas vidas.

Mamães,

Se eu pudesse comparar vocês com alguém ou algum outro ser, eu as compararia a anjos. Pois aprendi na Bíblia que os anjos são seres enviados por Deus para cuidar de nós, independente das nossas idades. Eles se acampam ao nosso redor, travam batalhas por nós, muitas vezes silenciosas e que nem imaginamos, mas que são fundamentais para a nossa vitória.

Mãe, um dos maiores exemplos do que significa servir. Primeiro com seu corpo, nos mantendo protegidos e dividindo seu próprio alimento, nos sustentando com seus pés inchados, intermediando nosso primeiro contato com o mundo… Depois nos ensina a falar, dar gargalhada, a engatinhar, a ficar de pé, a amar, a correr e dançar, a ser mão amiga que ajuda a levantar, a ser ombro pra chorar, a ser exemplo a seguir.

Você é um presente e é exatamente do jeitinho que Deus planejou para cada um de nós, filhos e filhas.

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Vaso de Barro

vaso1

“Grandes, pequenos, pesados, frágeis,
todos os modelos, todos os tamanhos,
dóceis esperam que o autor os leve ao fogo,
de onde sairão firmes, impermeáveis,
prontos para servir,
para um humilde lugar,
longe dos vasos de cristal e ouro.

Vasos de barro,
bolas de argila que as mãos hábeis do oleiro transformaram,
vieram do pó que os animais pisam,
do princípio de tudo e para onde tudo volta.

Vasos de barro,
onde as flores mais lindas:
simples e humildes,
Não desviarão os olhos que contemplam a beleza da flor.

Em vasos de barro as flores crescem lindas,
vasos de barro é o que pede Deus
para provar a este mundo aflito,
através do finito, o infinito,
mostrando na terra o poder dos céus.

Por isso eu, vaso do pó arrancado,
um dia modelado pelo Eterno amor,
quero mostrar ao mundo a sua grandeza
como um pequeno vaso sem beleza,
sustentando uma bonita flor.

Que importa se cansado e gasto
este menor entre mil vasos seus
voltar um dia ao seu Criador?
Em outros vasos crescerá a Flor
para o bem do mundo e glória de Deus”

Myrtes Mathias

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Saudade

“A saudade é um parafuso,
Que, quando entra, não cai.
Só entra se for torcendo,
Porque batendo não vai.
Depois que enferruja dentro,
Nem batendo não sai.”

Saulo Ramos (retirado do livro Código da Vida) 

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O Pastor Amoroso

O pastor amoroso perdeu o cajado,
E as ovelhas tresmalharam-se pela encosta,
E de tanto pensar, nem tocou a flauta que trouxe para tocar.
Ninguém lhe apareceu ou desapareceu.
Nunca mais encontrou o cajado.
Outros, praguejando contra ele, recolheram-lhe as ovelhas.
Ninguém o tinha amado, afinal.
Quando se ergueu da encosta e da verdade falsa, viu tudo:
Os grandes vales cheios dos mesmos verdes de sempre,
As grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento,
A realidade toda, com o céu e o ar e os campos que existem, estão presentes.
(E de novo o ar, que lhe faltara tanto tempo, lhe entrou fresco nos pulmões)
E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor, uma liberdade no peito.

Alberto Caeiro

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Ao Senhor dos Pequeninos

Faz de mim Senhor uma Flor Azul do Campo semi-perdida na Vegetação.
Faz de mim Senhor um pirilampo que insiste em combater a escuridão.
Faz de mim uma pequena Ostra que em pérola transforma a sua dor.
Então serei capaz de transformar o meu dilema,
em uma mensagem, em forma de poema
capaz de transmitir paz e amor.

Acima de tudo Ó Pai Onipotente,
faz de mim argila em tuas mãos Divinas.
Para que todos saibam, que O Senhor, ó Deus Tremendo,
Rei dos reis que comanda o céu e as estrelas,
é também o DEUS das coisas pequeninas.

Pr. Allison Ambrósio

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